Unindo os personagens(11 comentários)

Estive lendo e assintindo um pouco mais que o normal esses dias e, enquanto assistia Lost, acabei lembrando de uma coisa muito legal que os autores do seriado criaram para poder conectar os personagens principais: Eles já se conheciam…

Bom, não se conheciam de ser amigos ou qualquer coisa do tipo, mas eles já tinham se visto, não uma ou duas vezes, mas várias! Quando não, eles, além de terem estado na mesma sala, chegaram a conversar ou então tiveram relação com algum parente ou conhecido íntimo de outro personagem. E essa ligação magistral entre os personagens de Lost me fez lembrar uma coisa no RPG que, geralmente, é meio fraca: A união inicial dos personagens!

Particularmente, nunca fui muito chegado a tavernas, forçando os jogadores a estarem lá e presenciar a chegada de um anão esbaforido, gritando, à maneira que podia, por ajuda. Para mim isso sempre foi forçar a barra. Sempre gostei criar inicios de aventuras/campanhas tão excitantes quanto os finais delas e esse gancho da taverna já está mais que batido, apesar de salvar muitos mestres por aí!

Como sempre deixei claro, gosto de sessões mais narrativas e interpretativas a sessões de combates, apesar de adorar colocar um bom desafio do tipo matar e pilhar para os jogadores. É por esse motivo que sempre peço que os jogadores façam o background de seus personagens. Dessa maneira, sabendo um pouco sobre a história de cada um deles, além de ter ganchos durante a aventura, também posso arquitetar um início memorável.

Para falar a verdade, aprendi a fazer isso com leitura. Sempre prestei atenção em como os personagens são apresentados nos livros: Alguns são descritos minuciosamente juntamente do seu dia-a-dia; outros já são apresentados em plena ação, fugindo de bandidos ou monstros; enquanto outros são mostrados simplesmente através dos pensamentos que ele tem acerca de um certo evento.

Mais para frente, quando são apresentados personagens importantes, além do(s) principal(is), temos toda uma situação criada para apresenta-los. Os coadjuvantes normalmente fazem parte da vida dos principais: o mordomo, os avós que o criou desde a morte dos pais, a amiga jornalista, uma curadora com quem já trabalhou e assim vai.

Até para apresentar alguns personagens sem tanta importância, alguns autores criam todo um sub-enredo para mostrá-los – vide o mestre Stephen King e seus livros! Em suma, se eles podem fazer esse tipo de coisa, por que nós, narradores e mestres de RPG não podemos fazer em nossas sessões? Porque, imaginem vocês, toda vez que começassemos a ler um livro, independente do autor, batessemos sempre com o mesmo texto inicial? Para quem nunca leu ou mesmo não fosse leitor assíduo, até que seria viável, mas, em caso contrário, seria monótono, entediante, massante!

Então, que tal colocar um pouco de vida nesse ponta-pé inicial? Eu, por exemplo, na penúltima campanha que criei, comecei bombásticamente! Literalmente! Os personagens dos jogadores encontravam-se em guerra. Dois dos jogadores (um humano e um meio-orc) estavam em lados opostos e outros dois (um elfo e um druida) estavam em suas respectivas aldeias.

A guerra tomou tamanhas proporções que inúmeras bolas-de-fogo forão lançadas de um lado ao outro e acabaram tacando fogo na floresta, o que acabou fazendo todos entrarem em guerra. Porém, para o azar deles, aquela guerra sequer era o pior dos problemas que estariam por vir. Os principais guerreiros e, “por coincidência”, melhores amigos dos personagem dos jogadores, foram raptados por dois seres estranhos.

A guerra continuou, mas os jogadores foram enviados por suas tribos/clãs/reinos para averiguar o que tinha acontecido e tentar trazer seus entes queridos de volta. Para encurtar, eles acabaram se encontrando e fizeram uma trégua entre si para poder conseguir atingir o objetivo que todos tinham em comum.

Para mim, um início bem diferente e que já coloca os jogadores em ação, testando seus personagens, aprendendo a lidar com eles e, no fim das contas, a questão da união se resolve e acaba gerando outros ganchos bem legais para continuar as aventuras/campanha!

O que vocês acham? Vocês tem tido mais “tavernas” em suas sessões ou tem tido começos bem diversificados e diferentes? E você, enquanto mestre, já tentou buscar meios diferentes de unir o grupo? Deixem suas opiniões aí nos comentários! Abraços e até o próximo post!